sexta-feira, 13 de abril de 2012

Logística Reversa e o Desenvolvimento Sustentável

* Por Dionilson J. Pinheiro Filho
A cada dia aumenta mais a preocupação da sociedade e de grupos ambientalistas para a realização de ações efetivas que possam promover uma redução da degradação ambiental, uma maior conservação do meio ambiente, até mesmo por meio de uma legislação mais severa quanto à responsabilidade ambiental das empresas. Diante desse quadro, e pela responsabilidade social que uma empresa assume na sociedade, ela passa a se preocupar com ações que possam reduzir os impactos de suas atividades na natureza e/ou sociedade, objetivando ser ecologicamente correta e melhorar sua imagem no mercado como uma empresa que se preocupa com as questões sócio-ambientais e com o desenvolvimento sustentável.
Muitas podem ser as ações realizadas por empresas para assumir uma posição socialmente responsável e ecologicamente correta, e hoje, uma das que pode trazer não só benefícios intangíveis, como um reconhecimento da sociedade, mas também trazer retornos financeiros e operacionais é a Logística Reversa. Contudo, esta ainda não é muito explorada pelas organizações.
Talvez por falta de informação ou por falta de conhecimento técnico sobre o assunto, até pelo pouco acervo bibliográfico a respeito do tema no Brasil, algumas empresas não identificam a Logística Reversa como uma ação socialmente responsável e que pode reduzir custos e melhorar a qualidade dos serviços associados, com o acréscimo de uma melhor percepção da sociedade e dos seus mercados.
Para ficar claro como essa operação pode contribuir muito para isso, faz-se necessário conceituá-la: Logística Reversa, como o termo já declara, corresponde ao caminho inverso da logística, ou seja, inicia-se no ponto de consumo dos produtos sendo finalizada no ponto inicial da cadeia de suprimentos, tendo como principal objetivo o reaproveitamento e reciclagem de produtos e materiais, com a reutilização destes na cadeia de valor. Assim, a Logística Reversa se responsabiliza pelo retorno dos bens de pós-venda e pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, agregando-lhes valor.
Os bens de pós-consumo são aqueles que já foram utilizados e que chegaram ao fim de sua vida útil, mas que ainda podem ser aproveitados para outros fins específicos. Para esses bens de pós-consumo existem três canais de distribuição reversa (CDR): o reuso, a reciclagem e o desmanche. O primeiro corresponde à reutilização do bem que fora descartado pelo consumidor, mas que sua vida útil ainda não chegou completamente ao fim; a reciclagem corresponde à transformação industrial do bem em matéria-prima para produção de outros bens; e o desmanche corresponde à desmontagem do bem para que seus componentes possam ser utilizados para composição de outros.
Por sua vez, produtos de pós-venda são aqueles que não chegaram a ser utilizados ou cuja vida útil foi muito pouco desgastada e que serão integrados novamente ao mercado. Vários podem ser os motivos para o retorno de produtos de pós-venda à cadeia produtiva, dentre eles podemos citar: excesso de estoque, erros na elaboração de pedidos, validade vencida, defeitos de fabricação, entre outros. Para esses bens vários podem ser os CDRs: os mesmos dos bens de pós-consumo, mercados secundários, serviços agregados, entre outros.
Para que o sistema logístico reverso seja realizado, é necessário que haja um conhecimento e comprometimento de todos os componentes da cadeia, isso porque esse processo só pode existir diante de uma conscientização de todos os envolvidos, desde o produtor até o consumidor final, passando pelos varejistas/atacadistas. Nesse processo, novas necessidades de operações logísticas surgem para o atendimento aos CDRs, o que aquece todo o sistema logístico e de distribuição e favorece a redução dos custos globais, passando a ser ainda um diferencial competitivo numa economia globalizada. Além disso, favorece a redução de utilização de insumos da natureza através de fontes de energia alternativas (biodíesel, biomassa, energia eólica, etc.) e uma postura ecologicamente correta quanto aos materiais que seriam descartados.
Dessa maneira, todos os envolvidos na cadeia de suprimentos têm sua parcela de responsabilidade para um resultado eficaz da Logística Reversa, em que materiais e equipamentos, antes simplesmente descartados nos lixões sem quaisquer cuidados com possíveis impactos ambientais possam ter uma nova finalidade dentro de um processo produtivo, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da sociedade. 
* Dionilson J. Pinheiro Filho é administrador, Pós-Graduado em Logística Empresarial pela UNIFACS com experiência em gestão de operações logísticas (distribuição urbana, transferência, multimodais, logística interna/expedição de indústria) e gestão e implantação de processos logísticos, além de implantações de sistemas, coordenação de programas de qualidade/avaliação de clientes. Certificado como auditor interno do SASSMAQ e ministrante de cursos na área de logística.

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